assertividade costuma ser confundida com falar o que pensa, impor limites ou não ter medo de desagradar.
Na prática, é mais complexo.
Uma pessoa pode conseguir expressar suas opiniões e, ainda assim, fazê-lo de maneira agressiva. Outra pode evitar conflitos constantemente, deixando de comunicar aquilo que precisa. Entre esses extremos existe um repertório de comportamentos que pode ser desenvolvido.
Segundo Vicente Caballo, referência mundial em Treinamento de Habilidades Sociais e professor de Psicopatologia na Universidade de Granada, o comportamento socialmente habilidoso acontece dentro de um contexto interpessoal e envolve expressar sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos de maneira adequada à situação, considerando também o comportamento das outras pessoas.
Essa definição é importante porque mostra que assertividade não significa simplesmente conseguir falar.
É preciso considerar como, quando e em qual contexto essa expressão acontece.
Não existe uma única forma universal de ser assertivo.
A maneira de conversar com um amigo pode ser diferente daquela utilizada em uma situação profissional. Expressar discordância diante de alguém próximo também pode exigir recursos diferentes de uma conversa com uma autoridade.
Por isso, avaliar habilidades sociais exige observar a interação dentro do contexto em que ela acontece.
Idade, ambiente, relações, experiências anteriores e características da situação podem modificar aquilo que será considerado uma resposta socialmente adequada.
Esse é um dos motivos pelos quais o Treinamento de Habilidades Sociais não pode ser reduzido a uma lista de frases prontas.
Na clínica, é possível encontrar pacientes que sabem exatamente o que gostariam de dizer, mas não conseguem expressar isso no momento necessário.
A pessoa sabe que deveria colocar um limite, mas fica em silêncio.
Sabe que gostaria de pedir ajuda, mas evita fazê-lo.
Percebe que está incomodada, mas não consegue comunicar o que sente.
Em outros casos, a habilidade existe, mas fatores como ansiedade, pensamentos negativos ou insegurança interferem em sua manifestação. Caballo destaca justamente que determinadas habilidades podem ser aprendidas ou ter sua expressão facilitada quando esses fatores são trabalhados.
Isso muda a maneira de compreender a dificuldade.
Não se trata necessariamente de ausência de conhecimento.
Pode existir uma diferença entre saber o que fazer e conseguir colocar esse comportamento em prática.
O repertório social não precisa ser entendido como uma característica fixa da personalidade.
A pessoa pode desenvolver novas formas de responder às situações e ampliar seu repertório ao longo do tempo.
Essa é uma das bases do Treinamento de Habilidades Sociais.
Na Pós-Graduação em Treinamento de Habilidades Sociais da Comportalmente, o conteúdo inclui avaliação, mapeamento das habilidades, psicoeducação, autorregulação emocional e planejamento de intervenções para diferentes fases da vida e contextos clínicos.
O objetivo não é transformar todos os pacientes em pessoas extrovertidas ou socialmente semelhantes.
É ajudá-los a desenvolver respostas mais adequadas às situações que enfrentam.
Assertividade não significa falar mais alto, dizer tudo o que pensa ou nunca evitar um conflito.
Ela envolve conseguir expressar sentimentos, opiniões, desejos e direitos considerando a situação e as pessoas envolvidas.
Na prática clínica, compreender essa diferença permite olhar para as dificuldades relacionais de maneira mais precisa e identificar quais habilidades precisam realmente ser avaliadas e desenvolvidas.
Habilidade social não é um traço fixo. É um repertório que pode ser aprendido, treinado e aprimorado.
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