ma pessoa que evita falar em público pode estar enfrentando uma dificuldade de comunicação, mas também pode estar lidando com ansiedade, experiências anteriores negativas ou medo de avaliação.
Uma criança que não participa de determinadas atividades pode apresentar dificuldades sociais, mas também pode estar respondendo às características daquele ambiente.
Por isso, identificar apenas o comportamento observado não é suficiente para definir uma intervenção.
O primeiro passo é compreender em quais situações a dificuldade aparece, como ela se manifesta e quais fatores estão relacionados a ela.
No Treinamento de Habilidades Sociais, a avaliação busca identificar não apenas possíveis déficits, mas também excessos comportamentais, antecedentes, consequências, respostas emocionais e crenças relacionadas às situações interpessoais.
Segundo Vicente Caballo, professor de Psicopatologia da Universidade de Granada e referência internacional em habilidades sociais, a avaliação deve fazer parte do processo de treinamento justamente para identificar quais comportamentos precisam ser trabalhados e em quais situações eles se tornam relevantes.
Essa perspectiva evita uma intervenção baseada em suposições.
Antes de ensinar uma nova resposta, é necessário compreender qual função o comportamento atual está desempenhando.
Duas pessoas podem dizer que têm dificuldade para estabelecer limites, mas isso não significa que precisem do mesmo treinamento.
Uma pode não saber como expressar sua necessidade.
Outra pode saber exatamente o que gostaria de dizer, mas evitar a situação por medo da reação do outro.
Uma terceira pode expressar seus limites, mas fazê-lo de maneira agressiva.
O comportamento observado pode parecer semelhante, mas os processos envolvidos são diferentes.
É por isso que a avaliação individualizada é tão importante.
Entrevistas, inventários, autorregistros, observação e medidas de desempenho podem contribuir para a avaliação das habilidades sociais.
Esses recursos ajudam o profissional a organizar informações e identificar padrões, mas precisam ser interpretados dentro do contexto da pessoa.
A avaliação não deve se transformar simplesmente na aplicação de um instrumento.
O objetivo é construir uma compreensão que permita definir o que precisa ser trabalhado, em qual contexto e de que maneira.
Depois de identificar as dificuldades, o profissional pode planejar intervenções específicas para desenvolver ou aperfeiçoar determinadas habilidades.
Comunicação, expressão de sentimentos, resolução de problemas, manejo de conflitos, assertividade e autorregulação são exemplos de repertórios que podem ser trabalhados no THS.
A proposta da Comportalmente contempla justamente avaliação, mapeamento das habilidades, psicoeducação e planejamento de intervenções individuais e grupais para diferentes públicos.
Uma intervenção em habilidades sociais não começa ensinando alguém a se comportar de determinada maneira.
Começa tentando compreender como aquela pessoa está se comportando, em quais situações, por quais motivos e com quais consequências.
Essa avaliação permite que o treinamento seja direcionado às necessidades reais do paciente, em vez de aplicar estratégias genéricas para qualquer dificuldade interpessoal.
Na prática clínica, quanto mais precisa for a compreensão do repertório, mais precisa pode ser a intervenção.
Inscreva-se na Pós-Graduação em Treinamento de Habilidades Sociais.
Escolha o curso ideal para o seu momento e leve sua atuação profissional a outro nível.


