Aborda uma apresentação frequente e subestimada de TAG, onde a manutenção do funcionamento pode mascarar o impacto clínico.
O paciente relata preocupações com diferentes áreas da vida: trabalho, saúde, relacionamentos, finanças. Em cada área, reconhece que as coisas estão, em geral, razoavelmente bem. Mesmo assim, a preocupação continua.
Quando não há um problema específico a resolver, a manutenção das preocupações pode ser difícil de explicar. Para o profissional, essa situação convida a uma investigação diferente: o que sustenta a preocupação quando os fatos externos não a justificam plenamente?
Investigar também como as atividades são mantidas
As diretrizes do NICE para transtorno de ansiedade generalizada e transtorno de pânico em adultos identificam algumas características da preocupação que ajudam a diferenciar o que é contextual do que é um padrão persistente: a dificuldade de controlar a preocupação mesmo quando ela parece desnecessária, a amplitude dos temas e o impacto no funcionamento.
Na avaliação, investigar como o paciente mantém as atividades pode revelar adaptações importantes. Ele antecipa todas as possibilidades antes de agir? Precisa de confirmações frequentes antes de tomar decisões? Evita situações nas quais o desfecho não pode ser controlado?
Uma hipótese precisa encontrar a história
A formulação de caso no TAG costuma envolver crenças sobre a preocupação, não apenas seu conteúdo. Para alguns pacientes, preocupar-se tem a função de preparação ou proteção. Para outros, deixar de preocupar-se parece irresponsabilidade.
Compreender o papel que a preocupação cumpre para aquele paciente específico é parte da formulação, não apenas da psicoeducação.
Referências
- NICE. Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management. Clinical guideline CG113. nice.org.uk


