Quando o paciente descreve uma relação difícil e conclui que a outra pessoa é narcisista, o ponto é compreender o que o rótulo está fazendo no relato.
A palavra aparece com frequência. O paciente descreve uma relação difícil e conclui, em algum momento, que a outra pessoa é narcisista. A designação traz consigo uma organização do que aconteceu, mas também pode encerrar a investigação antes do tempo.
Para o profissional, o ponto não é confirmar ou refutar o rótulo. É compreender o que ele está fazendo no relato do paciente.
Do rótulo às situações concretas
A Associação Americana de Psiquiatria descreve o transtorno de personalidade narcisista como um padrão que envolve grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia. Esse padrão, quando presente, é avaliado em contexto clínico, a partir de múltiplas fontes e ao longo do tempo.
O relato de um terceiro, mesmo que detalhado, não permite diagnóstico. O que ele permite é compreender como aquela relação afetou o paciente: quais expectativas foram frustradas, quais padrões se repetiram e o que o paciente passou a fazer para lidar com isso.
O que a explicação permite enxergar
Quando o rótulo organiza e encerra a conversa, pode valer a pena perguntar: o que muda no seu entendimento da situação quando você pensa nele dessa forma? O que ficaria difícil de ver se a explicação fosse outra?
Essas perguntas não negam a experiência do paciente. Investigam o que o diagnóstico informal está fazendo no caso: organizando a narrativa, atribuindo responsabilidade, ou talvez impedindo de reconhecer outros fatores relevantes.
Referências
- American Psychiatric Association. What are Personality Disorders? psychiatry.org


