s transtornos alimentares compreendem um conjunto de condições psicológicas que se manifestam por meio de comportamentos alimentares alterados ou disfuncionais, com impacto significativo sobre a saúde física e emocional. Embora muitas pessoas estejam familiarizadas com condições como anorexia nervosa e bulimia nervosa, o espectro dos transtornos alimentares é muito mais amplo e envolve outras formas clínicas relevantes, como o Transtorno de Compulsão Alimentar, o Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE) e a Pica, entre outros.
A seguir, exploramos os principais transtornos alimentares reconhecidos na literatura científica e clínica, destacando suas características, diferenças diagnósticas e implicações para a intervenção terapêutica.
O Transtorno de Compulsão Alimentar caracteriza-se por episódios recorrentes de ingestão de grandes quantidades de alimentos em um curto período, associados a uma sensação subjetiva de perda de controle. Esse padrão se distingue de outros transtornos porque não há comportamentos compensatórios, como vômitos autoinduzidos ou uso de laxantes, após os episódios de compulsão alimentar.
Pessoas com esse transtorno frequentemente descrevem sentimentos intensos de culpa e vergonha após os episódios de compulsão, podendo esse ciclo contribuir para o desenvolvimento de dificuldades emocionais, como ansiedade, depressão e baixa autoestima. Além disso, a repetição desses episódios está frequentemente associada ao ganho de peso e a condições metabólicas associadas.
O TARE se manifesta por uma restrição significativa da ingesta alimentar ou pela evitação persistente de certos alimentos, levando muitas vezes a deficiências nutricionais e comprometimento do funcionamento psicossocial.
Diferentemente da anorexia nervosa, no TARE não há preocupação com o peso corporal ou a forma do corpo. A restrição pode estar relacionada a aversões sensoriais (como textura, cheiro ou sabor desagradáveis), medo de engasgar ou reação adversa à comida, ou outras razões não associadas à imagem corporal. Assim, o TARE é frequentemente observado em crianças, em indivíduos com transtorno do neurodesenvolvimento ou com sensibilidade sensorial elevada, e pode persistir até a vida adulta.
A Pica é caracterizada pela ingestão persistente de substâncias não alimentares e sem valor nutritivo, como terra, giz, cabelo, pedra, sabão ou outros itens inadequados à alimentação humana.
Esse transtorno pode ocorrer em diferentes faixas etárias — embora seja mais comum na infância — e está associado a populações com deficiência intelectual, transtorno do espectro autista e outras condições do neurodesenvolvimento. A ingestão de substâncias não alimentares representa um risco à saúde física, podendo causar obstruções intestinais, intoxicações, lesões nos dentes e outros danos orgânicos.
O Transtorno de Ruminação consiste na regurgitação repetida de alimentos que podem ser remastigados, engolidos novamente ou expelidos. Trata-se de um comportamento involuntário e repetitivo que difere do refluxo gastroesofágico por não estar relacionado a uma condição médica primária.
Esse padrão pode levar à perda de peso, desnutrição e comprometimento do sistema gastrointestinal. Embora seja mais frequentemente observado em crianças pequenas e em pessoas com deficiência intelectual, também pode ocorrer em adolescentes e adultos.
A Síndrome do Comer Noturno descreve um padrão de ingestão alimentar excessiva durante a noite, após as refeições principais ou durante episódios de despertar noturno. Essa condição está associada com dificuldade em iniciar o sono, necessidade de comer para retomar o sono e diminuição do apetite pela manhã.
Esse comportamento tende a dessincronizar o ciclo sono-vigília e está frequentemente relacionado a fatores como estresse, ansiedade e humor depressivo. Indivíduos com essa síndrome podem apresentar ganho de peso e sofrimento emocional relacionado ao padrão alimentar noturno.
No Transtorno de Purgação, o indivíduo se engaja em comportamentos compensatórios, como vômitos autoinduzidos, uso inadequado de laxantes ou diuréticos, com o objetivo de controlar o peso ou a forma corporal, sem a presença de episódios de compulsão alimentar.
Esse padrão pode ter consequências físicas graves, incluindo desequilíbrios eletrolíticos, desidratação e alterações no sistema gastrointestinal, exigindo avaliação médica e terapêutica cuidadosa.
Além dos transtornos reconhecidos nos principais sistemas diagnósticos, existem comportamentos relacionados à alimentação que são objeto de estudos e debates clínicos:
Essas condições não estão formalmente categorizadas como transtornos alimentares no DSM-5, mas refletem padrões comportamentais disfuncionais que têm impacto significativo na saúde e no bem-estar.
A avaliação e o manejo dos transtornos alimentares exigem um processo diagnóstico cuidadoso, baseado em critérios clínicos, história detalhada do paciente e consideração de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Uma abordagem terapêutica efetiva costuma envolver profissionais de diferentes áreas, como psicologia, psiquiatria, nutrição e medicina, para garantir intervenções individualizadas e integradas.
Compreender a variedade de transtornos alimentares — desde os mais conhecidos até os menos reconhecidos — é essencial para identificar sinais precoces, reduzir estigmas, oferecer suporte adequado e promover a recuperação.
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