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Por que pacientes entendem seus problemas, mas continuam sofrendo? A contribuição da DBT e da ACT para a clínica contemporânea

Jun 8, 2026
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ma situação relativamente comum na clínica acontece quando o paciente consegue identificar seus padrões, reconhece pensamentos disfuncionais e entende racionalmente seus problemas, mas continua repetindo os mesmos comportamentos.

Ele sabe que sua ansiedade é excessiva.

Sabe que a autocrítica é prejudicial.

Sabe que evitar determinadas situações mantém o sofrimento.

Mesmo assim, continua preso aos mesmos ciclos emocionais.

Esse fenômeno levou ao desenvolvimento de abordagens que ampliaram a compreensão tradicional da mudança psicológica, especialmente a Terapia Comportamental Dialética (DBT) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT).

O sofrimento humano não depende apenas do conteúdo dos pensamentos

Um dos avanços mais importantes das terapias contextuais foi deslocar parte do foco clínico do conteúdo dos pensamentos para a relação que o indivíduo estabelece com suas experiências internas.

Na prática, muitos pacientes não sofrem apenas por aquilo que pensam ou sentem.

Eles sofrem porque passam a lutar constantemente contra emoções, memórias, sensações físicas e experiências internas consideradas inaceitáveis.

Esse processo é amplamente discutido na ACT através do conceito de evitação experiencial, considerado um dos principais mantenedores do sofrimento psicológico.

A busca excessiva por controle emocional

A cultura contemporânea frequentemente transmite a ideia de que emoções difíceis precisam ser eliminadas.

Como consequência, muitos pacientes passam anos tentando:

  • controlar ansiedade;
  • eliminar tristeza;
  • evitar frustração;
  • bloquear pensamentos desagradáveis;
  • afastar experiências emocionais dolorosas.

Paradoxalmente, quanto maior a tentativa de controle absoluto, maior tende a ser o sofrimento.

A ACT propõe uma mudança importante de perspectiva: o objetivo não é eliminar emoções humanas inevitáveis, mas desenvolver uma relação mais flexível com elas.

O papel da flexibilidade psicológica

A flexibilidade psicológica é considerada um dos principais processos de mudança na ACT.

Ela envolve a capacidade de:

  • entrar em contato com experiências difíceis;
  • permanecer presente;
  • agir de acordo com valores pessoais;
  • reduzir comportamentos de evitação.

Segundo o professor Leonardo Machado, da Comportalmente, abordagens contemporâneas em saúde mental precisam ampliar o foco da simples redução de sintomas e incluir o fortalecimento de recursos psicológicos positivos e habilidades adaptativas.

Essa perspectiva aproxima a prática clínica de objetivos mais amplos relacionados à qualidade de vida e ao funcionamento global do paciente.

O que a DBT acrescenta à prática clínica

Enquanto a ACT enfatiza flexibilidade psicológica e construção de uma vida baseada em valores, a DBT oferece um modelo extremamente robusto para compreender e tratar dificuldades relacionadas à desregulação emocional.

Pacientes com intenso sofrimento emocional frequentemente apresentam dificuldades em:

  • tolerar emoções aversivas;
  • lidar com frustrações;
  • manter relacionamentos estáveis;
  • controlar impulsos;
  • regular respostas emocionais.

A DBT oferece estratégias estruturadas para desenvolver habilidades que permitam ao paciente responder de forma mais funcional às experiências emocionais.

Por que essas abordagens estão crescendo entre psicólogos

O crescimento da DBT e da ACT não ocorreu apenas por razões teóricas.

Muitos profissionais passaram a buscar essas abordagens porque encontraram, na prática clínica, pacientes cada vez mais complexos, apresentando sofrimento crônico, desregulação emocional, burnout, ansiedade persistente e dificuldades relacionais importantes.

Além disso, as terapias contextuais dialogam diretamente com descobertas contemporâneas da ciência comportamental, da neurociência e da psicoterapia baseada em evidências.

Isso torna sua aplicação especialmente relevante para profissionais que desejam atualizar e aprofundar sua atuação clínica.

Formação especializada vai além de aprender técnicas

Um erro comum é acreditar que DBT e ACT podem ser aprendidas apenas através de protocolos ou técnicas isoladas.

Na realidade, essas abordagens exigem compreensão profunda de:

  • análise funcional;
  • processos de mudança;
  • comportamento humano;
  • regulação emocional;
  • flexibilidade psicológica;
  • construção de valores.

É essa compreensão que permite ao profissional adaptar intervenções às necessidades específicas de cada paciente.

Conclusão

A clínica contemporânea tem mostrado que compreender racionalmente um problema nem sempre é suficiente para transformá-lo.

DBT e ACT surgem como modelos capazes de ampliar a compreensão do sofrimento humano e oferecer ferramentas clínicas eficazes para trabalhar regulação emocional, flexibilidade psicológica e mudança comportamental duradoura.

Para profissionais que desejam aprofundar sua prática baseada em evidências, essas abordagens representam uma das áreas mais relevantes da psicoterapia atual.

Se você deseja aprofundar seus conhecimentos em terapias contextuais e desenvolver uma atuação clínica mais moderna, consistente e baseada em evidências, conheça a Pós-Graduação em DBT & ACT da Comportalmente.

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