Orientação Parental

Como a nossa infância influencia a forma como educamos nossos filhos?

Apr 29, 2026
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uitos pais se surpreendem ao perceber que, em determinados momentos, reproduzem exatamente as mesmas atitudes que receberam durante a infância.

Alguns se veem repetindo frases que juraram nunca dizer. Outros percebem que reagem aos filhos de maneiras semelhantes às que observaram em seus próprios cuidadores.

Isso acontece porque a parentalidade não é construída apenas a partir de escolhas conscientes. Ela também é influenciada pela história de vida, pelas experiências emocionais e pelos modelos de relacionamento aprendidos ao longo do desenvolvimento.

Segundo a psicóloga Juliana Galano Kanazawa, professora da Comportalmente, os comportamentos parentais são influenciados tanto por fatores aprendidos ao longo da história familiar quanto pelos contextos culturais em que estamos inseridos.

O que é transgeracionalidade?

A transgeracionalidade refere-se à transmissão de comportamentos, crenças, valores e formas de relacionamento entre diferentes gerações de uma família.

Isso não significa que estamos condenados a repetir a história dos nossos pais ou avós.

Na verdade, compreender esses padrões é justamente o primeiro passo para transformá-los.

Segundo Juliana Galano, os comportamentos parentais são influenciados por aprendizagens construídas ao longo da vida dos pais, avós e bisavós, além dos valores familiares transmitidos entre gerações.

Essas influências podem aparecer em diferentes aspectos da parentalidade:

  • forma de estabelecer limites;
  • demonstração de afeto;
  • manejo de conflitos;
  • expectativas sobre os filhos;
  • comunicação familiar.

A cultura também influencia a forma de educar

Além das experiências familiares, a cultura exerce papel importante na construção da parentalidade.

Ideias sobre o que significa ser uma "boa mãe" ou um "bom pai" variam ao longo da história e entre diferentes sociedades.

A professora Juliana Galano destaca que práticas parentais são constantemente influenciadas pela cultura vigente, que pode reforçar determinados comportamentos e desencorajar outros.

Por exemplo:

  • gerações anteriores valorizavam mais obediência e hierarquia;
  • atualmente há maior valorização do diálogo e da validação emocional;
  • o contexto digital trouxe novos desafios para pais e cuidadores.

Essas mudanças mostram que a parentalidade está em constante transformação.

É possível interromper ciclos familiares?

Sim.

Um dos avanços mais importantes da psicologia contemporânea é compreender que reconhecer padrões familiares não significa permanecer preso a eles.

Quando pais desenvolvem consciência sobre sua própria história, tornam-se mais capazes de escolher novas formas de agir.

Esse processo envolve:

  • autoconhecimento;
  • reflexão sobre experiências da infância;
  • compreensão das próprias emoções;
  • desenvolvimento de habilidades parentais mais saudáveis.

A orientação parental frequentemente auxilia famílias justamente nesse processo de identificar padrões automáticos e construir respostas mais conscientes.

A parentalidade é uma construção, não um instinto perfeito

Existe uma crença comum de que bons pais naturalmente sabem o que fazer em todas as situações.

Na realidade, a parentalidade é uma habilidade desenvolvida ao longo da vida.

Segundo a psicóloga Milene da Silva Franco, a parentalidade corresponde a uma relação recíproca construída entre pais e filhos, sendo influenciada pelas características de ambos.

Isso significa que cada família constrói sua própria dinâmica, aprendendo continuamente com as experiências vividas.

Não existe perfeição na parentalidade. Existe desenvolvimento.

Por que compreender sua própria história pode ajudar seus filhos

Quando pais compreendem suas próprias experiências, tornam-se mais preparados para:

  • responder com maior consciência emocional;
  • evitar reações impulsivas;
  • fortalecer vínculos afetivos;
  • desenvolver comunicação mais saudável;
  • criar ambientes emocionalmente seguros.

Essa mudança não beneficia apenas os pais, mas também contribui para o desenvolvimento emocional das crianças.

Conclusão

A forma como educamos nossos filhos é influenciada por muito mais do que decisões do presente. Nossa história, nossa família e nossa cultura participam ativamente desse processo.

Compreender essas influências não serve para buscar culpados, mas para ampliar a consciência e possibilitar escolhas mais saudáveis.

A boa notícia é que padrões podem ser transformados, e a parentalidade pode ser construída de forma mais intencional, acolhedora e alinhada às necessidades da criança.

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